Poucamanhã

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Eu olho o quadro que é o espelho e ele me olha de volta. Minha auto-estima responsável pelo reconhecimento duradouro daquele pouco que é bom em mim. Tem ressaca de oceano vinho e mais alguns quasessegredos, mas os dedos se movem  sobre o teclado, em volta da cerveja e acerca do cigarro. O cachimbo me parece bom e a mão abraça a culpa. Mas foda-se ontem, e a culpa já se foi. Ela vai e vem, sempre, e também vem e vai. Então foda-se.

Se os pormenores fossem fatos relevantes não seriam tão pequenos. São fatos, ainda, mas falta auto-estima pra que se sobressaiam.

E os olhos buscam medir o quanto a barba e o cabelo cresceram de ontem pra hoje; mas hoje ainda é cedo pra ter qualquer certeza. E eu enxergo o medo lá longe, no reflexo do globo pouco exposto ao sol. O amanhã é solitário ou tem cheiro de mel da carne?

Mel é bom. E é bom também não depender dele, porque mel é carne e carne é culpa.

E cheio de culpa o corpo se vai aos poucos, até que um dia não é mais.

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Teatros Imaginários Induzidos

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Há praticamente um ano, escrevi um post intitulado “Produção de Texto e Intenção Mágica”, em que falo da aplicação mágica à poesia e à prosa. Claro que depois desse tempo, que pra mim, com 25 anos, ainda comporta uma odisseia, mudei muitos conceitos, aprendi e concebi ideias novas. A gente tá aqui pra se lapidar, né?

O lance é que eu tava pensando sobre a aplicabilidade mais certeira e prática da magia sobre o texto — ou do texto sobre a magia? —. Desta vez, mais especificamente com relação à prosa e, mais ainda, à narrativa.

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Manifesto Laminastral

Facas

Magia é briga de faca. Perfurar com os olhos e cortar com a língua. Proclamar o rumo do raio enquanto se encharca na tempestade. Correr saltando sobre o mármore das lápides com os pés molhados tentando achar o próprio leito; O punhal some das mãos. A vista é ofuscada por névoa e a boca emudece. A tempestade não passa de chuvisco silencioso que nem chega a molhar. Não há chance de escorregar e abrir a testa e o caixão ainda tem gaveta.

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Realidades Emuladas Sobrepostas

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Sou da crença de que existem vários níveis de interpretação para apenas um objeto, para um fato, para uma informação. Todos eles funcionam por meio da coerência e da hermeticidade, ou seja, pelas completude e autossuficiência de seu mecanismo. Posto isso, creio também que uma verdade potencial se torna mais propensa a se tornar de fato uma verdade quando a percebemos de forma completa; ainda que haja falhas no raciocínio, se não tivermos consciência das mesmas, pode condicionar nosso próprio paradigma e, por consequência, influenciar a realidade comum.

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Adivinhação Palpável

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Eu resolvi escrever sobre isso porque estou desenvolvendo meu próprio oráculo. A adivinhação sempre foi vista como uma atividade mística, sempre envolta por mais perguntas que respostas, e eu, como um sujeito ávido por respostas, fui procurá-las na minha biblioteca preferida, que visito com mais frequência: minha própria cabeça. Joguei fumaça pra dentro e comecei a anotar o que saia.

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Artes Visuais e Intenção Mágica

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Como um louco criativo e com interesse por magística, senti-me na necessidade de criar meu próprio método para realização de intentos. Não acho tão empolgante oferecer minha fé a deuses existentes ou personagens de quadrinhos e penso que a ideia de sigilização convencional é um tanto quanto sem sal, apesar de efetiva. Ora, faço as coisas, também, para me divertir! Sou, em essência, um artista. Eu desenho, eu pinto, eu corto e colo, eu escrevo e declamo. Em certo momento da minha caminhada resolvi juntar os hobbies e fazer algo prático, poético e que funcionasse bem.

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